Integrante da CPI aberta pela Câmara para
investigar o escândalo de corrupção da Petrobras, o deputado federal
Ivan Valente (PSOL-SP) afirmou que a comissão tem tomado depoimentos
inúteis, que nada acrescentam à investigação, em lugar de convocar
pessoas que, segundo ele, poderiam acrescentar informações novas.
"A preguiça dessa CPI me espanta. Ouvir a Graça Foster [ex-presidente
da Petrobras] durante um dia todo foi de uma inutilidade... Podia ouvir
o Júlio Camargo, o próprio [Alberto] Youssef, o Milton Pascowich e o
próprio [Antonio] Palocci", afirma o deputado, em referência a pessoas
que a comissão não convocou e estão sob investigação na Operação Lava
Jato. Para ele, PMDB, PSDB e PT estão evitando convocar pessoas que
possam comprometer as legendas em seus depoimentos.
Nesta semana, Valente afirma que vai insistir nas convocações que
propôs e também na convocação de Palocci, ex-ministro da Casa Civil no
primeiro governo de Dilma Rousseff. Neste sábado, a revista "Isto É"
publicou uma reportagem dizendo que consultorias do ex-ministro para
empresas que têm contratos, diretos ou indiretos, com a Petrobras teriam
sido usadas para desviar R$ 100 milhões da estatal para o PT. "Vamos
também ativar essa convocação. Vamos insistir no Palocci, vamos ver",
afirma o deputado.
Autora de um dos requerimentos de convocação de Palocci, a deputada
Eliziane Gama (PPS-MA) afirma que partidos da base do governo têm
evitado não só essa convocação como também a de José Dirceu, que foi
ministro da Casa Civil de Lula. "Nós, partidos de oposição que
integramos a CPI, precisamos insistir na aprovação desses
requerimentos", diz a deputada.
Ex-ministra do governo Dilma e também integrante da CPI, a deputada
Maria do Rosário (PT-RS) afirma que "a oposição perdeu a referência do
que é razoável" e que a CPI está sendo usada como um palco de disputa
política. "Investigação mesmo está sendo feita pela PF e pelo Ministério
Público. Ali [na CPI], é só discurso". A deputada nega que o PT tenha
feito acordo com PMDB e PSDB para evitar convocações incômodas.
O deputado Celso Pansera (PMDB-RJ) diz que ainda não tem opinião
sobre a necessidade de convocar Palocci e que novas convocações devem
ser discutidas pela CPI em abril. Sobre a crítica de Ivan valente, ele
diz que "o PSOL não tem nenhuma responsabilidade, eles falam o que
querem. Nós temos que fazer de forma a dar resultado coerente. Não
adianta levar um a um para fazer espetáculo e não ter elementos
concretos". Pansera defende que os integrantes da CPI possam ir a
Curitiba coletar depoimentos de todos os presos da Lava Jato em sessões
públicas. Isso, segundo ele, seria uma forma de otimizar o trabalho.
(AE)















